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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cartunista que se veste de mulher quer usar o banheiro feminino


A questão é delicada e tem causado uma polêmica danada. Em São Paulo, um cartunista que se sente e se veste como mulher quer ter o direito de usar o banheiro feminino. Casos iguais começam a se repetir em todo o Brasil.
Um caso parecido já havia acontecido noRio de Janeiro. Agora foi o São Paulo. Uma mulher se sentiu constrangida ao ver o cartunista Laerte Coutinho, que se assumiu como transexual, no banheiro feminino de um restaurante. Ela reclamou com o dono do lugar, que chamou a atenção do cartunista. A partir daí começou a discussão.
O autor de quadrinhos levou 57 anos para sair do armário e agora quer entrar no banheiro. “No banheiro feminino”, comentou o cartunista Laerte Coutinho.
Há mais de um ano, desde que ele assumiu publicamente a vontade de se vestir de mulher, os olhos se arregalam, mas nunca ninguém tinha reclamado. A polêmica surgiu na semana passada, depois que o cartunista usou o banheiro feminino de um restaurante e foi, digamos, flagrado por uma cliente. “Ela alegou que eu sou homem e preciso usar o banheiro de homem”, comentou o cartunista.
O gerente do restaurante fez o mesmo pedido. Só que Laerte usava maquiagem, roupas femininas e não se sentia à vontade no banheiro dos homens. “Eu sou uma pessoa transgênera e quero usar o banheiro feminino”, defende Laerte Coutinho.
O cartunista já foi casado, tem dois filhos e uma namorada. Sim, namorada. Ele se define ao mesmo tempo como travesti e bissexual. “Essas mulheres não podem se sentir constrangidas pelo fato de você ter atração por mulher também?”, pergunta o repórter. “Não importa. Como é que elas se sentiriam com uma lésbica dentro do banheiro?”, rebate o cartunista.
Laerte Coutinho compara a luta dos travestis de hoje com a luta histórica dos negros americanos por direitos civis. “Nos Estados Unidos, na década de 1960, teve de vir a força federal. Teve de a guarda nacional garantir o direito de crianças negras entrar na escola”, citou o cartunista.
Ainda que o assunto seja incômodo para muita gente, as questões exigidas pelo cartunista Laerte são cada vez mais levadas a sério no Brasil. Já existem leis estaduais prevendo até o fechamento de estabelecimentos comerciais que promovam algum tipo de discriminação.
Na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), discute-se – com ânimos exaltados, obviamente – um estatuto que, se aprovado na OAB e depois no Congresso em Brasília, ampliaria os direitos de travestis e transexuais país. Eles poderiam, por exemplo, usar o banheiro feminino em qualquer lugar do país. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), um caso parecido levou a direção a liberar o banheiro feminino para os transexuais.
Depois do incidente, o cartunista procurou a Secretaria de Justiça de São Paulo e foi orientado a exigir o que considera serem os direitos dele. Não vai entrar na Justiça, porque não considera que houve dano moral.
“Não é bandeira ou causa. É a minha vida, é a minha vida e eu vou lutar por ela. Vou fazer valer meus direitos”, afirmou Laerte Coutinho.
Em uma charge de Laerte, o personagem Hugo tem um alterego chamado Muriel, que é travesti. Hugo faz de tudo para esconder Muriel no armário. Impossível! O lado masculino do artista é que foi parcialmente trancado. “Entrar no banheiro é sopa perto de sair do armário”, brinca Laerte.
Laerte não pensa em mudança de sexo nem de nome. “Você tem um nome feminino?”, pergunta o repórter. “Eu tenho. É Sonia, mas é mais para o circuito dos clubes e fóruns que eu frequento. Eu uso Laerte mesmo”, comenta.
O cartunista pretende brigar pelo direito de ser Hugo ou Muriel no banheiro que bem entender.
Segundo a presidente da comissão de combate à homofobia da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Adriana Galvão, a lei não fala em banheiros para transexuais, mas diz claramente que o direito de gênero da pessoa deve ser respeitado.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Por que elas desejam os gays?


A publicitária Juliana Sanches, de 28 anos, esbarrou num vizinho no prédio em que morava e se apaixonou. Era o homem perfeito, na porta ao lado: lindo, cheiroso, sensível, atencioso, bem vestido e bem-sucedido. Faltava só o cavalo branco estacionado na garagem. Pouco tempo depois, ela o encontrou numa balada. Ele beijava outro cara. “Ele era o sonho de qualquer garota. Decidi que faria ele virar heterossexual”, diz. Juliana e o vizinho ficaram amigos. Por um mês, ela investiu na relação com a malícia de quem quer mais. Um dia ele cedeu, os dois se beijaram no apartamento. Namoraram três meses, mas o clima não esquentou. “Uma árvore causava nele a mesma reação que uma mulher pelada”, diz a publicitária. Ela diz que agradeceria se ele fosse ao menos bissexual.
O desafio de Juliana parece ser compartilhado por um número cada vez maior de meninas. Elas querem um gay para chamar de seu. O assédio feminino é tão frequente que muitos gays reclamam. As marias purpurinas – apelido dessas garotas que se encantam por homens muitas vezes de voz afeminada e trajes extravagantes – vão a casas noturnas voltadas para o público homossexual para se divertir. E, na falta de héteros no local, paqueram os gays. “Elas atacam mais que as bichas!”, diz o blogueiro e DJ Daniel Carvalho. “Falo na hora que comigo não rola, mas elas passam a mão e ficam em cima. Sempre dou um jeito de fugir.”
As marias purpurinas costumam até aceitar que o sexo fique fora da história. Contentam-se com beijos e passeios a dois. J., de 38 anos, gerente de uma casa noturna, namorou por quatro anos um gay. “Era um amor de idosos”, diz, rindo. “Tinha companheirismo e cuidado, mas não sexo.” A intimidade incluía beijos tórridos e banhos a dois. E só. Para garantir satisfação sexual, saíam com outros parceiros.
O fascínio feminino pelos gays é antigo. E sempre pareceu restrito à clássica amizade entre mulher hétero e homem homossexual, nutrida por interesses comuns. Nos Estados Unidos, o termo “fag hag” descreve as meninas que se encantam pelo universo gay. Nos últimos anos, as linhas que definem as fronteiras entre amizade e relacionamento amoroso parecem ter se fundido. O cinema e a televisão captaram rapidamente isso. Na novela A favorita, de 2008, a atriz Deborah Secco interpretava Céu, uma prostituta que casa de fachada com o amigo gay e se apaixona. No filme A razão do meu afeto, lançado em 1998, a personagem de Jennifer Aniston se envolve com o amigo gay. A série americana Will & Grace, exibida entre 1998 e 2006, faz comédia com um casal de ex-namorados. O homem descobre que é gay, mas a dupla continua enrolada. Em sua segunda temporada, o reality show Girls who like boys who like boys (Garotas que gostam de garotos que gostam de garotos) mostra as nuances da amizade entre os gays e suas amigas.
Parte da explicação vem da abertura recente da sociedade. Com maior liberdade para as pessoas assumirem suas orientações sexuais, as mulheres sentiram-se à vontade para experimentar outras possibilidades. E os gays, liberados para se divertir em relacionamentos convencionais. “As novas gerações não querem se prender a rótulos rígidos e definitivos”, afirma o psiquiatra Alexandre Saadeh, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mesmo porque a atração sexual e o envolvimento afetivo não cabem em definições simplórias. Nos estudos sobre sexualidade, algumas teorias sugerem que a mente humana separa sexo de afeto. Os dois podem ser totalmente distintos. “Uma pessoa pode ser homossexual e heteroafetiva”, afirma Saadeh. Um gay pode gostar de transar com homens, mas ter maior afinidade para conversar e se relacionar emocionalmente com mulheres. Assim como um homem pode ser heterossexual, mas homoafetivo. Ou seja, ele se excita com o sexo feminino e se sente mais bem compreendido pelos amigos do sexo masculino.
Mas, segundo os psiquiatras, há outras razões menos libertárias e que, ao contrário, evocam antigos estereótipos para explicar o arranjo curioso entre gays e mulheres. A primeira delas é que, em geral, os gays são fisicamente atraentes. Preocupam-se com a aparência porque precisam chamar a atenção de outros homens, seres que, por natureza, são seduzidos principalmente pelo apelo visual. Ao contrário de muitos heterossexuais, que nutrem com carinho uma barriga de cerveja e se negam a comprar roupas novas, os gays em geral são antenados com o universo da moda e cuidam do corpo. Mantêm aquela barba milimetricamente mal-feita, o cabelo impecável e o perfume recém-aplicado. Tornam-se irresistíveis ao olfato e ao olhar delas. “Já são maravilhosos e perfeitos à primeira vista”, diz Juliana.
A sensibilidade dos homens gays, que os aproxima do modo de pensar das mulheres, é o segundo motivo que explica esse tipo de envolvimento. Para os psiquiatras, os gays entendem melhor a perspectiva feminina nas conversas e ainda conseguem oferecer o ponto de vista masculino. Querem participar da vida e se mostram disponíveis até como companhia nas compras do supermercado. São cúmplices. “Sempre que íamos sair, ele ajudava a escolher minha roupa. Cozinhávamos, dividíamos segredos e dormíamos de conchinha”, diz uma estilista paulistana. Por seis meses, ela manteve um relacionamento com um homem gay. Não tinha relações sexuais com ele nem nutria expectativas de que ele mudasse sua orientação sexual. Mas o pacote beleza-e-cumplicidade oferecido pelo amigo parecia irresistível.
O desafio de converter um gay a heterossexual é outra razão que fascina muitas das marias purpurinas. É uma busca por autoafirmação. Elas se sentem valorizadas por fazer com que um gay traia a própria orientação sexual por alguns beijos com ela. “Ela se sente muito poderosa quando consegue seduzir um homossexual”, afirma Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo.
Os motivos que levam alguns gays a manter a amizade colorida não são muito diferentes dos alegados pelas mulheres. Na hora da carência emocional, eles também precisam de referências com quem possam contar. As mulheres estão dispostas a oferecer esse vínculo emocional. O estilista A.B, de 27 anos, já namorou três mulheres. Diz ter certeza de que não é bissexual. Mas, quando bebe demais e elas continuam investindo incisivamente, ele afirma que é difícil resistir. Hoje, Alexandre namora outro homem. Diz que ficar com mulheres dá muita dor de cabeça. “Elas se apaixonam de verdade.”


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Homem é eleito uma das 100 mulheres mais sexy do mundo


Escândalo no mundo da moda e da fama: o modelo Andrej Pejic foi eleito por leitores de uma revista masculina, a FHM (For Him Magazine), uma das 100 mulheres mais sexy do mundo. Pelas fotos de Andrej neste post, à vontade e desfilando, é justificável a confusão (ou terá sido um voto proposital dos leitores homens?).
Já conhecido por sua androginia, recentemente uma capa de revista com uma foto de Andrej, com o torso de fora, foi proibida porque “parecia mulher”. Ele não se considera transexual. Mas quer um dia posar para a Playboy.
O curioso é que os editores da FHM ficaram indignados com a confusão, pediram desculpas e foram agressivos ao falar sobre o modelo andrógino – no fim das contas, ele é o que tem menos a ver com a escolha dos leitores pois não se candidatou a nada. Andrej teria ficado no 98 lugar, na lista deste ano das 100 mulheres mais sensuais, de acordo com a eleição dos leitores da FHM.
“Estilistas o chamam de ‘the nex big thing’“, escreveram editores da FHM. Para a revista, “thing is quite accurate” (chamá-lo de “coisa” é o mais apropriado). A FHM acusa Andrej de esconder o fato de ser homem.
Aí estão as desculpas dos editores: ”Infelizmente o nome de Andrej foi divulgado online antes de avaliarmos direito. Logo que percebemos o engano, retiramos seu nome imediatamente. E nos desculpamos por qualquer desconforto ou ofensa causados (…). Tomamos providências para que isso jamais se repita”.
Mas o modelo Andrej não está nem aí. Ele foi descoberto por olheiros quando trabalhava no McDonalds. Cresceu na Austrália. E diz a todos que está bem feliz podendo posar e desfilar tanto com roupas masculinas qanto femininas. Em entrevistas, costuma dizer: “Algumas vezes me sinto como mulher, outras como homem”.
Aparentemente, ele tem feito mais sucesso como mulher do que como homem.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Força Jean!

Sobre as ameaças sofridas por Jean Wyllys através da internet:

Todas as informações de ameaças de que a assessoria do Deputado tomou conhecimento foram comunicadas: 
- ao Ministério Público federal, que solicitou a instauração de inquérito;
- à Polícia Federal, que já instaurou inquérito e vem realizando as investigações devidas; 
- ao Presidente da Câmara dos Deputados, Sr. Dep. Marco Maia, e ao Ministro da Justiça, Sr. José Eduardo Cardozo, que estão preocupados e atentos ao andamento das investigações. 

A assessoria jurídica do Dep. Jean Wyllys também está acompanhando o desenvolvimento do trabalho policial.

Desde o início de seu mandato, o deputado Jean Wyllys vem sofrendo ameaças através de publicações em redes sociais, por e-mail, no mural interativo em seu site, e até através de telefonemas para seu gabinete. Jean Wyllys repudia veementemente esses ataques covardes e declara que não se intimidará na sua busca pela igualdade social e defesa dos direitos humanos.



Status do Facebook de Jean Wyllys.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

'Sou gay, e está bem assim', disse prefeito de Berlim em 2001.

O ano é 2001. Na cerimônia de indicação de sua candidatura pelo Partido Social Democrata (SPD) à prefeitura de Berlim, Klaus Wowereit sai do armário: "Sou gay, e está bem assim" ("Ich bin schwul, und das ist auch gut so"). Silêncio, depois aplausos.


Com essa frase, ele sinalizava o que queria para a cidade: a quebra de tabus, o ousado, a tolerância, a abertura. E esvaziava o que via como um iminente ataque da imprensa conservadora.

Dez anos depois, Wowereit (pronuncia-se "voverait"), 58, ainda está à cabeça da Rotes Rathaus, a prefeitura da capital alemã. Em setembro, foi eleito para o terceiro mandato consecutivo. Sob ele, Berlim mudou. De decadente, tornou-se um ímã para artistas, estilistas, escritores.

Ao longo dos anos no poder, Wowereit teve muitas caras e seu mote do primeiro mandato foi a célebre frase "Berlim é pobre, mas sexy". Endividada, a metrópole lutava para lidar com o legado da reunificação, com fim dos subsídios, com a fuga da empresas, com bairros detonados pelos anos de descuido.
Para alarme dos conservadores, deu as boas-vindas a um congresso de fetichistas e disse que a cidade precisava do dinheiro do turismo.

Amigo de celebridades e presente às baladas -foi fotografado tomando champanhe de um escarpim vermelho-, ganhou da imprensa a alcunha de "Partymeister" (alusão a "Bürgermeister", prefeito em alemão).

Na Berlim desencanada, talvez isso tenha garantido sua popularidade, a despeito das medidas impopulares que tomou, como o corte no salários do funcionalismo público e nos subsídios.

Ao começar seu segundo mandato, em 2006, havia mudado de tom. Disse que estava velho para baladas e tornou o guarda-roupa mais sóbrio. E adicionou um complemento à sua célebre frase: "preferia ser rico e sexy a ser pobre e sexy". Seu slogan de campanha foi "Uma Berlim consequente".

PREFEITO PERFEITO
Wowereit é berlinense de Tempelhof (ex-Berlim Ocidental), bairro de classe média baixa. Criado pela mãe solteira, mais novo de cinco irmãos, foi o primeiro da família a chegar ao secundário.

Aos 19 anos, após passagem pela Juventude Socialista, já fazia parte do SPD. Formou-se em direito pela Universidade Livre de Berlim.
Seu ídolo é Willy Brandt, que foi prefeito de Berlim Ocidental e o chanceler (premiê) da 

Alemanha Ocidental responsável pela aproximação com o Leste, nos anos 1970.
Sua página oficial diz que é solteiro. Mas, desde 1993, ele vive com o neurocirurgião Jörn Kubicki, seu "companheiro de vida". E, desde 2004, mora no Ku'Damm, o boulevard chique, centro da ex-Berlim Ocidental, um fascínio de infância.


domingo, 27 de novembro de 2011

Nal Goldin : exposição censurada no Oi futuro.


Em carta aberta e divulgada no Facebook, a curadoria Lígia Canongia lamenta terem sido” jogados fora” dois anos de trabalho para a montagem de uma exposição com obras da fotógrafa norte-americana Nan Goldin. O motivo? Censura. O Supergiba buscou informações sobre o ocorrido na página oficial da instituição, dando ao Oi Futuro o direito de resposta, mas teve seu post retirado do mural. O mesmo aconteceu com outros usuários.
A apuração dessa história continua amanhã. Confira a íntegra da carta abaixo:
“Em reunião ontem, no Oi Futuro, fui comunicada pelo curador e pela direção do instituto que a exposição de Nan Goldin estava suspensa.
Em ato arbitrário, prepotente e desrespeitoso com a artista, os curadores, e sobretudo, com a obra de arte, a mostra foi CENSURADA.
A artista chegaria ao Rio dentro de 20 dias, e a exposição se inauguraria em 09 de janeiro, ou seja, faltando praticamente 1 mês.
A direção e a curadoria dessa casa simplesmente não sabiam quem era Nan Goldin e o conteudo de suas imagens, tomando conhecimento delas apenas no final de outubro, embora tenham selecionado a exposição em edital de um ano atras.
Um trabalho de quase dois anos foi jogado fora, sumariamente.
Atos como este so se inscreveram na historia durante o nazismo, o fascismo e as ditaduras.
A instituição teve apenas o desplante de me pedir que levasse a exposição para outro lugar.
Se vocês puderem e quiserem se manifestar a esse respeito, eu agradeceria, pois vou reencaminhar ao Oi Futuro a ressonância dessa arbitrariedade no meio artistico.
Um grande abraço,
Ligia Canongia”

Nan Goldin realizou sua primeira individual em Boston em 1973, apresentando um conjunto de imagens das comunidades gays e transexuais da cidade, introduzida no meio pelo amigo David Armstrong. Goldin graduou-se na School of the Museum of Fine Arts, Boston/Tufts University em 1977/1978, onde trabalhou na maioria com impressões através do processo de Cibachrome. Goldin, residente em Nova York, realizada desde o final dos anos 70 um trabalho focado na documentação da subcultura gay nos Estados Unidos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ATÉ QUANDO?


Pecado, doença, desvio de conduta. São inúmeras as visões negativas que surgiram a respeito da homossexualidade ao longo da história e que – uma a uma – foram derrubadas pelo avanço do conhecimento. Homossexuais já foram queimados em fogueiras, levados para campos de concentração e internados em clínicas de “correção”. Hoje, quando se poderia imaginar que isso fosse coisa do passado, eles continuam a ser espancados e mortos simplesmente pelo fato de serem... homossexuais. Em 2010, pelo menos 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil, vítimas da homofobia. Os números são do Grupo Gay da Bahia, uma das pioneiras e mais ativas associações na defesa dos direitos dos homossexuais no país. Não há dados oficiais sobre o assunto, mas o estudo da ONG já dá uma amostra da intolerância que ainda persiste por aqui. Os recentes ataques na avenida Paulista, em festas de estudantes da USP e em feiras agropecuárias que ganharam as manchetes dos jornais em todo o país são mais uma prova disso.
Após a decisão histórica do Superior Tribunal Federal em maio deste ano, quando autorizou a união estável entre pessoas do mesmo sexo, a principal bandeira do movimento LGBT agora é aprovar o projeto de lei que torna crime a homofobia no Brasil. “O PLC 122 equipara a homofobia ao racismo e à discriminação religiosa”, explica o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Em tramitação no senado, o projeto foi aprovado pela câmara dos deputados em 2006 e sofre forte oposição da bancada evangélica, que argumenta que ele fere a liberdade religiosa e de expressão. De acordo com seus opositores, a lei, se aprovada, impediria padres católicos e pastores evangélicos, por exemplo, de pregar contra a homossexualidade. O deputado Jean Wyllys rebate: “Da mesma maneira que um padre não pode fazer um discurso antissemita ou racista na missa, se esse projeto for aprovado, ele terá que tomar cuidado para não disseminar o ódio aos homossexuais. Não dá para levar ao pé da letra o que diz a Bíblia. Tem que contextualizar. Assim como a ciência já provou que a Terra não é o centro do Universo, ela já demonstrou que a homossexualidade não é uma doença ou um tipo de perversão. O conhecimento avança, não dá para negar essas coisas”.
Na opinião do antropólogo Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia, as atuais políticas LGBT governamentais são ineficazes para reduzir a violência contra os homossexuais. “O número de assassinatos aumenta a cada ano. É assustador. Como não existem dados oficiais sobre o assunto, nosso levantamento é feito com base em notícias que saem em jornais, TVs, internet e mensagens enviadas pelos grupos gays de todo o Brasil. Mas certamente é subnotificado, há muito mais casos não relatados”, afirma. Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), “obviamente a aprovação de uma lei como essa não vai resolver todos os problemas, mas certamente vai ajudar a inibir a violência de pessoas homofóbicas”.
"Assim como a ciência já provou que a Terra não é o centro do Universo, ela já demonstrou que a homossexualidade não é uma doença ou um tipo de perversão", Jean Wyllys
Um levantamento do Centro de Combate à Homofobia, órgão da prefeitura de São Paulo que oferece um serviço de denúncias, aponta que a maior parte das pessoas que cometem atos de homofobia tem algum tipo de vínculo com a vítima. “São familiares, vizinhos ou colegas de trabalho. Isso mostra a questão da impunidade. Mesmo sabendo que vai ser reconhecido, o agressor comete a violência porque sabe que não será punido”, afirma Franco Reinaudo, que comanda a Coordenaria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads), da prefeitura. A região central da cidade concentra 50% dos casos de agressão física. É onde estão localizadas a avenida Paulista e a rua Augusta, chamada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de “Faixa de Gaza”, por concentrar boa parte dos casos de crimes de ódio, incluindo aqueles voltados contra os gays.
Na avaliação dos especialistas, esses ataques em áreas centrais provavelmente são uma reação à maior visibilidade conquistada pelos homossexuais. Esse público representa 10% da população do país, segundo o IBGE. Nas últimas décadas, uma série de avanços permitiu que cada vez mais gays e lésbicas saíssem do armário e exigissem seus direitos. Houve o crescimento no número de grupos ativistas (em 1995 eram 95 grupos LGBT organizados; hoje são mais de 300), a multiplicação das paradas de orgulho gay (a primeira foi em 1997; hoje são mais de 200 em todo o país) e a formação de um forte mercado voltado para esse público. A discussão sobre a homofobia conquistou espaço até no horário nobre da TV Globo: a novela das nove, o grande formador de opinião das massas brasileiras.
“No momento em que os homossexuais, com a Parada Gay e as demonstrações públicas de afeto, tomam simbolicamente a avenida Paulista, um espaço antes restrito aos heterossexuais, há uma reação de grupos contrários a eles. A Marcha de Jesus, o Dia do Orgulho Hétero são provas disso”, afirma Klecius Borges, terapeuta especializado em atender gays, lésbicas e bissexuais. O problema, diz o psicólogo, é quando a discussão sai do campo das ideias e o homofóbico parte para a violência. “Hoje felizmente os homossexuais denunciam mais as agressões. Mas, até pouco tempo atrás, se o sujeito fosse prestar uma queixa na delegacia ele seria motivo de chacota por parte do policial e ainda corria o risco de apanhar.”
Segundo Klecius, numa sociedade ideal não seria necessário criar leis contra a violência doméstica, o racismo ou a homofobia, mas no atual estágio de desenvolvimento do Brasil ainda é preciso que elas existam. “Por que existe a Lei Maria da Penha? Porque a sociedade como um todo não é capaz neste momento de fornecer instrumentos capazes de proteger uma mulher que é sistematicamente abusada pelo marido. A mesma coisa acontece com os gays. A situação atual é tão perigosa que nesse estágio é preciso uma lei que criminalize os atos de homofobia. É necessário algo que iniba esse tipo de violência”, conclui o psicólogo.

Kit Anti-homofobia


Radicado em Nova York, o artista plástico brasileiro Fernando Carpaneda vendeu para The Leslie Lohman Gay Art Foundation um conjunto de esculturas que ficará exposto ao lado de nomes como Andy Warhol e Keith Haring. Em uma delas, intitulada Bolsonaro’s Sex Party, uma escultura do deputado federal Jair Bolsonaro, famoso por suas declarações homofóbicas, participa ativa – e, diga-se de passagem, também passivamente – de uma suruba homossexual. Por email, o artista explicou um pouco sua arte:
Os seus trabalhos colocam como protagonistas os excluídos, com um toque bastante underground. Por que isso? Qual é o alvo da crítica?
Tento intervir na realidade social que me circunda, deslocando certas noções de certo ou errado nos meus trabalhos. Fiz uma escultura que se chama "O mendigo morto". É um trabalho que fala sobre os casos dos mendigos assassinados em São Paulo. É uma obra que mostra o corpo de um mendigo espancado e mutilado. As pessoas se assustam quando olham a escultura, mas é a nossa realidade que está ali. Isso acontece cotidianamente no Brasil e ninguém faz nada. Homossexuais e prostitutas são assassinados todos os dias, os processos de punição não avançam e nem a imprensa se interessa pela morte de pessoas que estão à margem. Como meu trabalho sempre foi ligado a personagens de rua, às vezes denuncio certos abusos que acontecem com as pessoas. O governo não toma providência alguma. Meu objetivo como artista é mostrar justamente esses abusos contra o ser humano. 

Como você mesmo coloca, mais de 250 pessoas foram assassinadas no Brasil por conta da homofobia. Como você acha que a arte pode ajudar a reduzir esse quadro no Brasil?Acho que a arte deve denunciar certos abusos. Mas o que reduziria assassinatos no Brasil seriam as mudancas nas leis. As leis no Brasil sao falhas, quem tem dinheiro e poder sempre esta acima da lei. Devemos mudar a constituição. A constituição protege homofóbicos como Bolsonaro. E ele é um dos responsáveis pela morte dessas pessoas e o culpado pelo crescimento de grupos homofóbicos no país com isso gerando violência e mais assassinatos. Necessitamos urgentemente de uma revolta popular contra racistas e homofóbicos.
De onde veio a inspiração para “homenagear” Bolsonaro?
Nunca tinha feito um retratro de um débil metal antes. Bolsonaro foi o meu primeiro.
Como tem sido a reação do público em relação à obra? Quem apoia o Bolsonaro odeia a escultura. Algumas pessoas não entendem a obra, mas a escultura aborda ainda um protesto contra as campanhas homofóbicas como a da Igreja Batista americana "God hates Fags" (Deus odeia os Veados). Eu troco a palavra "odeia" e coloco a palavra “ama”. A cena tem ainda um glory hole, sexo oral e pegação que é típico no mundo gay. A escultura também tem a inscrição “A realidade é que às vezes fazemos sexo sem camisinha” que é um alerta sobre o HIV e ao sexo sem proteção. Muitas pessoas criticam a escultura por falta de conhecimento sobre questões importantes relacionadas à homofobia e ao mundo gay. Quem não tem conhecimento sobre esses assuntos só consegue ver uma cena desnecessária de sexo
Você sabe como o Bolsonaro reagiu? Ele entrou em contato com você? Houve alguma manifestação de apoiadores do deputado?
A opinião do Bolsonaro é a que menos me importa. Tive várias manifestações de apoiadores do deputado dizendo que vão me matar, que vão me dar pauladas, que vão me processar, que eu deveria esta morto, que eu vou ser o número 251,etc... Nada que eu não esperasse por parte de gente que tem a mesma mentalidade doentia que a do deputado. O Sr. Bolsonaro gerou essa onda de ódio no Brasil contra gays e negros. Se eu for assassinado, ele será o culpado.

Assassinatos, espancamentos e suicídios são parte da rotina da comunidade LGBT jamaicana


O “one love, one heart” cantado por Bob Marley não inclui seus conterrâneos homossexuais. “Let's get together and feel all right” então, nem pensar. A ilha já foi classificada pela revista Time, em reportagem de 2006, como “o lugar mais homofóbico do mundo”. Não é bem assim, em países como Uganda ou Arábia Saudita a situação é bem pior, mas a nação caribenha, que no senso comum é um lugar relax, tem uma realidade tenebrosa (para usar um adjetivo leve) em relação aos direitos básicos dos homossexuais. Trip esteve em Kingston e conversou com ativistas e homossexuais não militantes, e deixa que eles falem:
“Em 2009 um amigo gravou uma festa nossa em Ocho Rios [litoral norte da ilha], onde eu morava. Era uma festa normal, no vídeo [com três horas de duração] não tem nada de mais, o pessoal tá bebendo, dançando, se divertindo. Aparece só algum beijinho, e um ou outro homem vestido de mulher. Meses depois, em uma batida policial na casa desse amigo, a polícia apreendeu o VHS e vazou.” A gravação virou hit instantâneo nas barracas de camelôs do país todo, sob o título “gay tape”. “Seis amigos entre 16 e 25 anos foram assassinados após aparecerem no vídeo, e mais de dez tiveram que deixar a cidade para não serem mortos também.” O relato é de um dos protagonistas da fita, Dwight, um dos que deixaram a cidade – o rapaz de 21 anos escapou de algumas tentativas de assassinato e carrega algumas cicatrizes profundas de facadas. Há mais de um ano Dwight vive nas ruas da capital e faz parte de um grupo de “michês homeless” que trabalha na região de New Kingston, bairro central da capital onde ficam os melhores hotéis e o centro financeiro do país.
“Em maio agora 20 policiais entraram em um clube gay em Montego Bay [segunda maior cidade jamaicana] e espancaram todo mundo. Normalmente eles só desligam o som e acabam com a festa [clubes gays são proibidos, todos são clandestinos]. Mas dessa vez mais de dez pessoas foram parar no hospital por conta das agressões.” Quem conta é Daniel Lewis, porta-voz da J-Flag, maior entidade de defesa dos direitos da população LGBT da ilha. O cartão de Daniel não traz o endereço da entidade, que ele escreve à mão no verso. “É para evitar atentados. Ah, e quando for lá não dê o endereço exato pro taxista, e desça do carro um quarteirão antes ou depois.” A precaução se justifica. O último porta-voz da entidade foi encontrado morto em casa no começo deste ano, com o corpo em estado de decomposição. E outro membro do grupo já havia sido morto esfaqueado há cinco anos. Para evitar o mesmo destino, Daniel dá entrevistas para a imprensa local apenas por telefone e nunca se deixa fotografar ou filmar. “A situação dos gays na Jamaica é assim por vários motivos, mas um dos principais é a religião. Somos um país cristão, e a influência da Igreja é muito forte na política e na sociedade.” (Diferentemente do que alguns imaginam, o rastafarianismo é uma religião minoritária. E mesmo assim também é, digamos, pouco simpática aos homossexuais.)
Sexo gay é contra a lei 
A homossexualidade não é proibida na Jamaica. O que a lei proíbe é a sodomia – buggery –, ou seja, o ato sexual com penetração entre dois homens. Hoje há poucos cidadãos encarcerados pelo “crime”, que é de difícil confirmação e envolve até exames médicos. Mas num passado recente já foi bem pior. “Em 1996 eu estava com quatro amigos dentro do carro, durante o dia, na orla, conversando. A polícia chegou e levou todo mundo pra delegacia. Dali fomos encaminhados direto para a prisão”, conta o blogueiro Michael, que trabalha em uma empresa de seguros e ficou um mês preso por conta desse episódio. “Hoje em dia alguém ser preso assim não é mais tão comum, mas é feita uma confusão muito grande entre homossexualidade e pedofilia. E tem muito gay preso acusado de pedofilia, mas que na verdade não cometeu crime algum, e sim teve uma relação homossexual adulta e consentida. A sociedade tem medo que nós transformemos seu pobres garotos em 'battymans' [gíria local que significa algo como ´bicha´]”, conclui, irônico.
O próprio primeiro-ministro e os mais populares artistas da ilha estimulam a discriminação abertamente
O lesbianismo não é citado na legislação da ilha caribenha, mas isso não alivia muito. “Há muitos 'estupros correcionais', e a maioria de minhas amigas sofre de depressão forte, várias já tentaram se matar”, diz Stacy, dona de um um clube clandestino.
Lésbicas e gays disfarçam sua condição no dia a dia, já que todos concordam que o pior não é a lei, e sim a intolerância da sociedade. Relatos de agressão e assassinatos são assustadoramente frequentes. Quando um gay é “descoberto” em uma comunidade, especialmente as mais populares, a medida mais comum é a expulsão imediata. Uma das duas únicas travestis da ilha – nas contas de Daniel, da J-Flag –, Moyette Morgan resume a posição da maioria da comunidade LGBT: “Estou extremamente cansada. Não consigo dormir em paz uma noite, já tentei me matar cinco vezes... se pudesse, eu dormiria por duas semanas seguidas, não aguento mais”. Moyette, 34 anos, só não sai do país por falta de dinheiro. Gostaria de se mudar para um país “trans friendly” – e cita como exemplos Tailândia, Índia e Brasil.
Primeiro-ministro homofóbico
Nenhum dos entrevistados se mostrou muito otimista em relação ao futuro. A impressão é que a situação está tão enraizada por lá que dificilmente haverá uma mudança num futuro próximo. Boa parte dos artistas do mais popular dos ritmos locais, o dancehall, tem músicas que pregam o espancamento e até a morte de gays – é o caso do ganhador do Grammy Beenie Man. O próprio primeiro-ministro jamaicano, Bruce Golding, afirmou irritado em 2008, em entrevista à BBC, que “jamais chamaria um gay para seu gabinete” – procurada, a cônsul da Jamaica em São Paulo não atendeu aos pedidos de entrevista.
E há esperança? “Não sou muito otimista. Se eu tivesse uma varinha mágica, quem sabe...”, diz, entre melancólico e irônico, o porta-voz da J-Flag. Para Dwight, o michê sem-teto do vídeo que causou seis mortes, nem foi preciso perguntar. Ele passou boa parte da entrevista pedindo insistentemente ajuda a este repórter para conseguir asilo no Brasil.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Homem Gay e a Mídia

Rio: destino gay mais sexy.


Com 48% dos votos, cidade venceu Madri, Buenos Aires, e Portland, entre outros destinos populares para o público LGBT.

O Rio venceu, pela segunda vez, a eleição para escolher o destino gay mais sexy do mundo. O evento é organizado anualmente pelo site Trip Out Gay Travel e o Logo, canal americano da MTV voltado para p público homossexual. A cidade foi eleita pelo segundo ano consecutivo com 48% dos votos e deixou para trás Madri, na Espanha, Portland, nos Estados Unidos, St. Tropez, na França, e Buenos Aires, capital argentina.

De olho no crescimento do turista LGBT na cidade, a prefeitura inaugurou em maio um portal que disponibiliza a agenda gay da cidade. O site faz parte do órgão municipal da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual e também recebe denúncias de discriminação. Confira o portal aqui. O endereço online fez parte de um pacote de medidas contra o preconceito realizado pela prefeitura. 

A escolha das cidades foi realizada por um grupo de escritores e jornalistas especializados em viagens. Em seguida, abriu-se votação para o público. Ao ser indicado, o Rio foi definido como a cidade onde vivem as pessoas mais sensuais. As praias, festas e o jeito carioca também foram destacados. Em 2009, o Rio já havia recebido o título de melhor destino gay do planeta. "No Rio todas as tribos convivem muito bem, então eles sempre são muito bem recebidos e se sentem em casa", diz o secretário Especial de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello. E você, acha que o Rio trata bem o público  gay? Deixe abaixo seu comentário!