quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O gozo do mundo.


Radicante

"Somos todos queers em potencial: para além das rotulações sexuais, a totalidade das componentes de nossa identidade depende de semelhantes táticas, passíveis de ser jogadas no tabuleiro das culturas. Assim, a vida cultural é feita de tensões entre a reificação pura e simples pressuposta pela inclusão de si mesmo em uma categoria read-made (esteta amante de ópera, adolescente gótico, leitor de romances históricos...) e a manifestação das identidades, que implica uma luta contra qualquer aderência: cabe afirmar que o consumo de signos culturais não acarreta nenhuma conotação identitária duradoura. Por definição, não se é aquilo que se usa. Em 1977, os punks ingleses justapunham em suas jaquetas de couro bótons nazistas e comunistas. Aquelas suásticas e foices exibidas juntas significavam, acima de tudo, o ódio a toda lógica de rotulação ideológica: contra a evidência demonstrativa os punks optaram pelo paradoxo flutuante. Estavam ali, pregados, signos esvaziados pelo choque de sua copresença. O pertencimento a uma comunidade identitária pertence a essa lógica do bóton. Revestindo signos de coerência atestada por uma tradição, roupagens intelectuais e estéticas que supostamente compõem um "corpo natural", o nacionalismo contemporâneo revela ser uma drag queen que desconhece a si mesma." p.36

BOURRIAUD, Nicolas. Radicante - por uma estética da globalização. Martins Fontes: São 
Paulo, 2011.

'Sou gay, e está bem assim', disse prefeito de Berlim em 2001.

O ano é 2001. Na cerimônia de indicação de sua candidatura pelo Partido Social Democrata (SPD) à prefeitura de Berlim, Klaus Wowereit sai do armário: "Sou gay, e está bem assim" ("Ich bin schwul, und das ist auch gut so"). Silêncio, depois aplausos.


Com essa frase, ele sinalizava o que queria para a cidade: a quebra de tabus, o ousado, a tolerância, a abertura. E esvaziava o que via como um iminente ataque da imprensa conservadora.

Dez anos depois, Wowereit (pronuncia-se "voverait"), 58, ainda está à cabeça da Rotes Rathaus, a prefeitura da capital alemã. Em setembro, foi eleito para o terceiro mandato consecutivo. Sob ele, Berlim mudou. De decadente, tornou-se um ímã para artistas, estilistas, escritores.

Ao longo dos anos no poder, Wowereit teve muitas caras e seu mote do primeiro mandato foi a célebre frase "Berlim é pobre, mas sexy". Endividada, a metrópole lutava para lidar com o legado da reunificação, com fim dos subsídios, com a fuga da empresas, com bairros detonados pelos anos de descuido.
Para alarme dos conservadores, deu as boas-vindas a um congresso de fetichistas e disse que a cidade precisava do dinheiro do turismo.

Amigo de celebridades e presente às baladas -foi fotografado tomando champanhe de um escarpim vermelho-, ganhou da imprensa a alcunha de "Partymeister" (alusão a "Bürgermeister", prefeito em alemão).

Na Berlim desencanada, talvez isso tenha garantido sua popularidade, a despeito das medidas impopulares que tomou, como o corte no salários do funcionalismo público e nos subsídios.

Ao começar seu segundo mandato, em 2006, havia mudado de tom. Disse que estava velho para baladas e tornou o guarda-roupa mais sóbrio. E adicionou um complemento à sua célebre frase: "preferia ser rico e sexy a ser pobre e sexy". Seu slogan de campanha foi "Uma Berlim consequente".

PREFEITO PERFEITO
Wowereit é berlinense de Tempelhof (ex-Berlim Ocidental), bairro de classe média baixa. Criado pela mãe solteira, mais novo de cinco irmãos, foi o primeiro da família a chegar ao secundário.

Aos 19 anos, após passagem pela Juventude Socialista, já fazia parte do SPD. Formou-se em direito pela Universidade Livre de Berlim.
Seu ídolo é Willy Brandt, que foi prefeito de Berlim Ocidental e o chanceler (premiê) da 

Alemanha Ocidental responsável pela aproximação com o Leste, nos anos 1970.
Sua página oficial diz que é solteiro. Mas, desde 1993, ele vive com o neurocirurgião Jörn Kubicki, seu "companheiro de vida". E, desde 2004, mora no Ku'Damm, o boulevard chique, centro da ex-Berlim Ocidental, um fascínio de infância.


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Paulopes: Escola substitui ensino religioso por ética; profe...: Marina entrou no magistério por concurso como Mário A Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio de Janeiro, de Porto Alegre (RS), su...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Do que se repete, uma breve uma lista:

- cama e suas variantes
- tecidos, toalhas, panos que cobrem só o pênis
- banheira e suas variantes
- quadro pescoço-cintura
- bundas
- cuecas

domingo, 27 de novembro de 2011

Nal Goldin : exposição censurada no Oi futuro.


Em carta aberta e divulgada no Facebook, a curadoria Lígia Canongia lamenta terem sido” jogados fora” dois anos de trabalho para a montagem de uma exposição com obras da fotógrafa norte-americana Nan Goldin. O motivo? Censura. O Supergiba buscou informações sobre o ocorrido na página oficial da instituição, dando ao Oi Futuro o direito de resposta, mas teve seu post retirado do mural. O mesmo aconteceu com outros usuários.
A apuração dessa história continua amanhã. Confira a íntegra da carta abaixo:
“Em reunião ontem, no Oi Futuro, fui comunicada pelo curador e pela direção do instituto que a exposição de Nan Goldin estava suspensa.
Em ato arbitrário, prepotente e desrespeitoso com a artista, os curadores, e sobretudo, com a obra de arte, a mostra foi CENSURADA.
A artista chegaria ao Rio dentro de 20 dias, e a exposição se inauguraria em 09 de janeiro, ou seja, faltando praticamente 1 mês.
A direção e a curadoria dessa casa simplesmente não sabiam quem era Nan Goldin e o conteudo de suas imagens, tomando conhecimento delas apenas no final de outubro, embora tenham selecionado a exposição em edital de um ano atras.
Um trabalho de quase dois anos foi jogado fora, sumariamente.
Atos como este so se inscreveram na historia durante o nazismo, o fascismo e as ditaduras.
A instituição teve apenas o desplante de me pedir que levasse a exposição para outro lugar.
Se vocês puderem e quiserem se manifestar a esse respeito, eu agradeceria, pois vou reencaminhar ao Oi Futuro a ressonância dessa arbitrariedade no meio artistico.
Um grande abraço,
Ligia Canongia”

Nan Goldin realizou sua primeira individual em Boston em 1973, apresentando um conjunto de imagens das comunidades gays e transexuais da cidade, introduzida no meio pelo amigo David Armstrong. Goldin graduou-se na School of the Museum of Fine Arts, Boston/Tufts University em 1977/1978, onde trabalhou na maioria com impressões através do processo de Cibachrome. Goldin, residente em Nova York, realizada desde o final dos anos 70 um trabalho focado na documentação da subcultura gay nos Estados Unidos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Achilles and Patrocklus, 2001


Pintura do artista Richard Taddei.

ATÉ QUANDO?


Pecado, doença, desvio de conduta. São inúmeras as visões negativas que surgiram a respeito da homossexualidade ao longo da história e que – uma a uma – foram derrubadas pelo avanço do conhecimento. Homossexuais já foram queimados em fogueiras, levados para campos de concentração e internados em clínicas de “correção”. Hoje, quando se poderia imaginar que isso fosse coisa do passado, eles continuam a ser espancados e mortos simplesmente pelo fato de serem... homossexuais. Em 2010, pelo menos 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil, vítimas da homofobia. Os números são do Grupo Gay da Bahia, uma das pioneiras e mais ativas associações na defesa dos direitos dos homossexuais no país. Não há dados oficiais sobre o assunto, mas o estudo da ONG já dá uma amostra da intolerância que ainda persiste por aqui. Os recentes ataques na avenida Paulista, em festas de estudantes da USP e em feiras agropecuárias que ganharam as manchetes dos jornais em todo o país são mais uma prova disso.
Após a decisão histórica do Superior Tribunal Federal em maio deste ano, quando autorizou a união estável entre pessoas do mesmo sexo, a principal bandeira do movimento LGBT agora é aprovar o projeto de lei que torna crime a homofobia no Brasil. “O PLC 122 equipara a homofobia ao racismo e à discriminação religiosa”, explica o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Em tramitação no senado, o projeto foi aprovado pela câmara dos deputados em 2006 e sofre forte oposição da bancada evangélica, que argumenta que ele fere a liberdade religiosa e de expressão. De acordo com seus opositores, a lei, se aprovada, impediria padres católicos e pastores evangélicos, por exemplo, de pregar contra a homossexualidade. O deputado Jean Wyllys rebate: “Da mesma maneira que um padre não pode fazer um discurso antissemita ou racista na missa, se esse projeto for aprovado, ele terá que tomar cuidado para não disseminar o ódio aos homossexuais. Não dá para levar ao pé da letra o que diz a Bíblia. Tem que contextualizar. Assim como a ciência já provou que a Terra não é o centro do Universo, ela já demonstrou que a homossexualidade não é uma doença ou um tipo de perversão. O conhecimento avança, não dá para negar essas coisas”.
Na opinião do antropólogo Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia, as atuais políticas LGBT governamentais são ineficazes para reduzir a violência contra os homossexuais. “O número de assassinatos aumenta a cada ano. É assustador. Como não existem dados oficiais sobre o assunto, nosso levantamento é feito com base em notícias que saem em jornais, TVs, internet e mensagens enviadas pelos grupos gays de todo o Brasil. Mas certamente é subnotificado, há muito mais casos não relatados”, afirma. Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), “obviamente a aprovação de uma lei como essa não vai resolver todos os problemas, mas certamente vai ajudar a inibir a violência de pessoas homofóbicas”.
"Assim como a ciência já provou que a Terra não é o centro do Universo, ela já demonstrou que a homossexualidade não é uma doença ou um tipo de perversão", Jean Wyllys
Um levantamento do Centro de Combate à Homofobia, órgão da prefeitura de São Paulo que oferece um serviço de denúncias, aponta que a maior parte das pessoas que cometem atos de homofobia tem algum tipo de vínculo com a vítima. “São familiares, vizinhos ou colegas de trabalho. Isso mostra a questão da impunidade. Mesmo sabendo que vai ser reconhecido, o agressor comete a violência porque sabe que não será punido”, afirma Franco Reinaudo, que comanda a Coordenaria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads), da prefeitura. A região central da cidade concentra 50% dos casos de agressão física. É onde estão localizadas a avenida Paulista e a rua Augusta, chamada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de “Faixa de Gaza”, por concentrar boa parte dos casos de crimes de ódio, incluindo aqueles voltados contra os gays.
Na avaliação dos especialistas, esses ataques em áreas centrais provavelmente são uma reação à maior visibilidade conquistada pelos homossexuais. Esse público representa 10% da população do país, segundo o IBGE. Nas últimas décadas, uma série de avanços permitiu que cada vez mais gays e lésbicas saíssem do armário e exigissem seus direitos. Houve o crescimento no número de grupos ativistas (em 1995 eram 95 grupos LGBT organizados; hoje são mais de 300), a multiplicação das paradas de orgulho gay (a primeira foi em 1997; hoje são mais de 200 em todo o país) e a formação de um forte mercado voltado para esse público. A discussão sobre a homofobia conquistou espaço até no horário nobre da TV Globo: a novela das nove, o grande formador de opinião das massas brasileiras.
“No momento em que os homossexuais, com a Parada Gay e as demonstrações públicas de afeto, tomam simbolicamente a avenida Paulista, um espaço antes restrito aos heterossexuais, há uma reação de grupos contrários a eles. A Marcha de Jesus, o Dia do Orgulho Hétero são provas disso”, afirma Klecius Borges, terapeuta especializado em atender gays, lésbicas e bissexuais. O problema, diz o psicólogo, é quando a discussão sai do campo das ideias e o homofóbico parte para a violência. “Hoje felizmente os homossexuais denunciam mais as agressões. Mas, até pouco tempo atrás, se o sujeito fosse prestar uma queixa na delegacia ele seria motivo de chacota por parte do policial e ainda corria o risco de apanhar.”
Segundo Klecius, numa sociedade ideal não seria necessário criar leis contra a violência doméstica, o racismo ou a homofobia, mas no atual estágio de desenvolvimento do Brasil ainda é preciso que elas existam. “Por que existe a Lei Maria da Penha? Porque a sociedade como um todo não é capaz neste momento de fornecer instrumentos capazes de proteger uma mulher que é sistematicamente abusada pelo marido. A mesma coisa acontece com os gays. A situação atual é tão perigosa que nesse estágio é preciso uma lei que criminalize os atos de homofobia. É necessário algo que iniba esse tipo de violência”, conclui o psicólogo.

Kit Anti-homofobia


Radicado em Nova York, o artista plástico brasileiro Fernando Carpaneda vendeu para The Leslie Lohman Gay Art Foundation um conjunto de esculturas que ficará exposto ao lado de nomes como Andy Warhol e Keith Haring. Em uma delas, intitulada Bolsonaro’s Sex Party, uma escultura do deputado federal Jair Bolsonaro, famoso por suas declarações homofóbicas, participa ativa – e, diga-se de passagem, também passivamente – de uma suruba homossexual. Por email, o artista explicou um pouco sua arte:
Os seus trabalhos colocam como protagonistas os excluídos, com um toque bastante underground. Por que isso? Qual é o alvo da crítica?
Tento intervir na realidade social que me circunda, deslocando certas noções de certo ou errado nos meus trabalhos. Fiz uma escultura que se chama "O mendigo morto". É um trabalho que fala sobre os casos dos mendigos assassinados em São Paulo. É uma obra que mostra o corpo de um mendigo espancado e mutilado. As pessoas se assustam quando olham a escultura, mas é a nossa realidade que está ali. Isso acontece cotidianamente no Brasil e ninguém faz nada. Homossexuais e prostitutas são assassinados todos os dias, os processos de punição não avançam e nem a imprensa se interessa pela morte de pessoas que estão à margem. Como meu trabalho sempre foi ligado a personagens de rua, às vezes denuncio certos abusos que acontecem com as pessoas. O governo não toma providência alguma. Meu objetivo como artista é mostrar justamente esses abusos contra o ser humano. 

Como você mesmo coloca, mais de 250 pessoas foram assassinadas no Brasil por conta da homofobia. Como você acha que a arte pode ajudar a reduzir esse quadro no Brasil?Acho que a arte deve denunciar certos abusos. Mas o que reduziria assassinatos no Brasil seriam as mudancas nas leis. As leis no Brasil sao falhas, quem tem dinheiro e poder sempre esta acima da lei. Devemos mudar a constituição. A constituição protege homofóbicos como Bolsonaro. E ele é um dos responsáveis pela morte dessas pessoas e o culpado pelo crescimento de grupos homofóbicos no país com isso gerando violência e mais assassinatos. Necessitamos urgentemente de uma revolta popular contra racistas e homofóbicos.
De onde veio a inspiração para “homenagear” Bolsonaro?
Nunca tinha feito um retratro de um débil metal antes. Bolsonaro foi o meu primeiro.
Como tem sido a reação do público em relação à obra? Quem apoia o Bolsonaro odeia a escultura. Algumas pessoas não entendem a obra, mas a escultura aborda ainda um protesto contra as campanhas homofóbicas como a da Igreja Batista americana "God hates Fags" (Deus odeia os Veados). Eu troco a palavra "odeia" e coloco a palavra “ama”. A cena tem ainda um glory hole, sexo oral e pegação que é típico no mundo gay. A escultura também tem a inscrição “A realidade é que às vezes fazemos sexo sem camisinha” que é um alerta sobre o HIV e ao sexo sem proteção. Muitas pessoas criticam a escultura por falta de conhecimento sobre questões importantes relacionadas à homofobia e ao mundo gay. Quem não tem conhecimento sobre esses assuntos só consegue ver uma cena desnecessária de sexo
Você sabe como o Bolsonaro reagiu? Ele entrou em contato com você? Houve alguma manifestação de apoiadores do deputado?
A opinião do Bolsonaro é a que menos me importa. Tive várias manifestações de apoiadores do deputado dizendo que vão me matar, que vão me dar pauladas, que vão me processar, que eu deveria esta morto, que eu vou ser o número 251,etc... Nada que eu não esperasse por parte de gente que tem a mesma mentalidade doentia que a do deputado. O Sr. Bolsonaro gerou essa onda de ódio no Brasil contra gays e negros. Se eu for assassinado, ele será o culpado.

Assassinatos, espancamentos e suicídios são parte da rotina da comunidade LGBT jamaicana


O “one love, one heart” cantado por Bob Marley não inclui seus conterrâneos homossexuais. “Let's get together and feel all right” então, nem pensar. A ilha já foi classificada pela revista Time, em reportagem de 2006, como “o lugar mais homofóbico do mundo”. Não é bem assim, em países como Uganda ou Arábia Saudita a situação é bem pior, mas a nação caribenha, que no senso comum é um lugar relax, tem uma realidade tenebrosa (para usar um adjetivo leve) em relação aos direitos básicos dos homossexuais. Trip esteve em Kingston e conversou com ativistas e homossexuais não militantes, e deixa que eles falem:
“Em 2009 um amigo gravou uma festa nossa em Ocho Rios [litoral norte da ilha], onde eu morava. Era uma festa normal, no vídeo [com três horas de duração] não tem nada de mais, o pessoal tá bebendo, dançando, se divertindo. Aparece só algum beijinho, e um ou outro homem vestido de mulher. Meses depois, em uma batida policial na casa desse amigo, a polícia apreendeu o VHS e vazou.” A gravação virou hit instantâneo nas barracas de camelôs do país todo, sob o título “gay tape”. “Seis amigos entre 16 e 25 anos foram assassinados após aparecerem no vídeo, e mais de dez tiveram que deixar a cidade para não serem mortos também.” O relato é de um dos protagonistas da fita, Dwight, um dos que deixaram a cidade – o rapaz de 21 anos escapou de algumas tentativas de assassinato e carrega algumas cicatrizes profundas de facadas. Há mais de um ano Dwight vive nas ruas da capital e faz parte de um grupo de “michês homeless” que trabalha na região de New Kingston, bairro central da capital onde ficam os melhores hotéis e o centro financeiro do país.
“Em maio agora 20 policiais entraram em um clube gay em Montego Bay [segunda maior cidade jamaicana] e espancaram todo mundo. Normalmente eles só desligam o som e acabam com a festa [clubes gays são proibidos, todos são clandestinos]. Mas dessa vez mais de dez pessoas foram parar no hospital por conta das agressões.” Quem conta é Daniel Lewis, porta-voz da J-Flag, maior entidade de defesa dos direitos da população LGBT da ilha. O cartão de Daniel não traz o endereço da entidade, que ele escreve à mão no verso. “É para evitar atentados. Ah, e quando for lá não dê o endereço exato pro taxista, e desça do carro um quarteirão antes ou depois.” A precaução se justifica. O último porta-voz da entidade foi encontrado morto em casa no começo deste ano, com o corpo em estado de decomposição. E outro membro do grupo já havia sido morto esfaqueado há cinco anos. Para evitar o mesmo destino, Daniel dá entrevistas para a imprensa local apenas por telefone e nunca se deixa fotografar ou filmar. “A situação dos gays na Jamaica é assim por vários motivos, mas um dos principais é a religião. Somos um país cristão, e a influência da Igreja é muito forte na política e na sociedade.” (Diferentemente do que alguns imaginam, o rastafarianismo é uma religião minoritária. E mesmo assim também é, digamos, pouco simpática aos homossexuais.)
Sexo gay é contra a lei 
A homossexualidade não é proibida na Jamaica. O que a lei proíbe é a sodomia – buggery –, ou seja, o ato sexual com penetração entre dois homens. Hoje há poucos cidadãos encarcerados pelo “crime”, que é de difícil confirmação e envolve até exames médicos. Mas num passado recente já foi bem pior. “Em 1996 eu estava com quatro amigos dentro do carro, durante o dia, na orla, conversando. A polícia chegou e levou todo mundo pra delegacia. Dali fomos encaminhados direto para a prisão”, conta o blogueiro Michael, que trabalha em uma empresa de seguros e ficou um mês preso por conta desse episódio. “Hoje em dia alguém ser preso assim não é mais tão comum, mas é feita uma confusão muito grande entre homossexualidade e pedofilia. E tem muito gay preso acusado de pedofilia, mas que na verdade não cometeu crime algum, e sim teve uma relação homossexual adulta e consentida. A sociedade tem medo que nós transformemos seu pobres garotos em 'battymans' [gíria local que significa algo como ´bicha´]”, conclui, irônico.
O próprio primeiro-ministro e os mais populares artistas da ilha estimulam a discriminação abertamente
O lesbianismo não é citado na legislação da ilha caribenha, mas isso não alivia muito. “Há muitos 'estupros correcionais', e a maioria de minhas amigas sofre de depressão forte, várias já tentaram se matar”, diz Stacy, dona de um um clube clandestino.
Lésbicas e gays disfarçam sua condição no dia a dia, já que todos concordam que o pior não é a lei, e sim a intolerância da sociedade. Relatos de agressão e assassinatos são assustadoramente frequentes. Quando um gay é “descoberto” em uma comunidade, especialmente as mais populares, a medida mais comum é a expulsão imediata. Uma das duas únicas travestis da ilha – nas contas de Daniel, da J-Flag –, Moyette Morgan resume a posição da maioria da comunidade LGBT: “Estou extremamente cansada. Não consigo dormir em paz uma noite, já tentei me matar cinco vezes... se pudesse, eu dormiria por duas semanas seguidas, não aguento mais”. Moyette, 34 anos, só não sai do país por falta de dinheiro. Gostaria de se mudar para um país “trans friendly” – e cita como exemplos Tailândia, Índia e Brasil.
Primeiro-ministro homofóbico
Nenhum dos entrevistados se mostrou muito otimista em relação ao futuro. A impressão é que a situação está tão enraizada por lá que dificilmente haverá uma mudança num futuro próximo. Boa parte dos artistas do mais popular dos ritmos locais, o dancehall, tem músicas que pregam o espancamento e até a morte de gays – é o caso do ganhador do Grammy Beenie Man. O próprio primeiro-ministro jamaicano, Bruce Golding, afirmou irritado em 2008, em entrevista à BBC, que “jamais chamaria um gay para seu gabinete” – procurada, a cônsul da Jamaica em São Paulo não atendeu aos pedidos de entrevista.
E há esperança? “Não sou muito otimista. Se eu tivesse uma varinha mágica, quem sabe...”, diz, entre melancólico e irônico, o porta-voz da J-Flag. Para Dwight, o michê sem-teto do vídeo que causou seis mortes, nem foi preciso perguntar. Ele passou boa parte da entrevista pedindo insistentemente ajuda a este repórter para conseguir asilo no Brasil.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O amor que não ousa dizer seu nome


Bateu-lhe à porta, ao acaso, um dia.
E ele, inebriado pela cotovia
(que paira à janela, mas depois some...),
Sentiu crescer, súbito, na alma, u'a fome
De algo que, até então, desconhecia.
Desejo... estranheza... culpa... agonia...!
Desce aos umbrais, na angústia que o consome!
... porém, depois das lágrimas enxutas,
Chamou a cotovia, deu-lhe frutas,
E sorveram, um no outro, a própria essência.
E ambos, nessa atração de semelhantes,
Num cingir de músculos, os amantes
Ergueram-se aos portais da transcendência.


Oscar Wilde, 1876.

Em Maio de 1895, após três julgamentos, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por "cometer atos imorais com diversos rapazes". Wilde escreveu uma denúncia contra um jovem chamado Bosie, publicada no livro De Profundis, acusando-o de tê-lo arruinado. Bosie era o apelido de Lorde Alfred Douglas, um dos homens de que se suspeitava que Wilde fosse amante. Foi o pai de Bosie, o Marquês de Queensberry, que levou Oscar Wilde ao tribunal. No terrível período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a Douglas. A imaginação como fruto do amor é uma das armas que Wilde utiliza para conseguir sobreviver nas condições terríveis da prisão. Apesar das críticas severas a Douglas, ele ainda alimenta o amor dentro de si como estratégia de sobrevivência. A imaginação, a beleza e a arte estão presentes na obra de Wilde.


Jornal Nacional - STF aprova União Homoafetiva no Brasil! (06/05/11)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Casamento Gay

Born This Way Blog



O projeto "Born This Way" é desenvolvido em um blog onde homossexuais de todo o mundo são encorajados a postarem suas fotos de infância e contarem suas histórias. O projeto tem como bandeira a crença de que a homossexualidade não é uma opção e nem uma questão de gosto. Ela é natural assim como a heterossexualidade. O blog é lindo e as histórias belíssimas. É incrível encontrar tantas semelhanças nas imagens, posturas, movimentos e expressões.


Naked



Pinturas de Philip Gladstone, mais aqui: http://www.philipgladstone.com/works.html

VAE VICTIS

Sensação de cão sem plumas
a máscara
a farsa - o medo
isto tudo nasceu comigo.
A primeira mentira dita,
a gente se documenta,
se habilita
se exercita - e acaba se acostumando.
A enfermeira é porta-voz.
Oficiosa, a víbora morde, sopra,
e cospe um verbete: Homem!
Meu pai acredita,
minha mãe se deleita
o povo festeja. Bandeiras, discursos,
charutos - bandas de música.
Beberam o mijo do menino
magricela - sem lhe perguntar
sem lhe auscultar - a sina.
Toda festa tem seu preço.

Etiquetado, recebo no berço
a humanidade
me olhando e rindo
um riso que eu não entendo
e que não me larga.

Só não ri o anjo. que me protege
assexuado, a-ético, aéreo,
sobrevoando o meu ser
e dizendo:
- Vai, Paulo, ser gay na vida!
No espaço geográfico do discurso há-sumo.
Nihil obstat.



- Poema de Paulo Augusto

ESTATUTO

Ser bicha é ser enquadrado 
no inciso C 
do parágrafo terceiro 
do artigo 24 
da lei de segurança inter 
nacional. 

É ter medo à flor da pele,
é ter a língua ferida,
a boca rubra,
o beijo fácil,
o amor saindo pelos poros.

Ser bicha é um estado de espírito,
de choque, de sítio,
de graça.

Como o artista pinta seu quadro,
como a luz que filtra
a janela do quarto
a lua bojuda no céu.

Ser bicha: ser inspecionado,
é ter revirado o passado
e investigado o medo –
subindo o cheiro saudoso
dos primeiros tempos.

É a polícia, acesa e trêmula
no encalço do baitola
amedrontado.

Ser bicha é ser metade gente,
a outra metade - o povo,
gargalha garganta a dentro
ri e galhofeiro.

É Ter parte com o demônio,
aprendiz de feiticeiro.
É estar entre, no meio, ser meta-de
Outros homens.


- Poema de Paulo Augusto

O Homem Gay e a Mídia

A persistência do desejo - uma síntese da literatura gay brasileira.


Seria redundante chamar tal poesia de experimental, uma vez que, toda poesia autêntica, ultrapassando o limite do dizível e do nominável, não pode ser senão experimental. O certo é que o relançamento do livro de poesias "Falo", após mais de duas décadas, permite avaliar, com mais nitidez do que na repressora época do seu lançamento, o essencial do homoerotismo criador do seu autor, Paulo Augusto. É também uma boa ocasião para abordar a literatura gay brasileira, embora não a veja enquanto gênero literário específico. Uma nação, a nossa, onde a obra de conteúdo homossexual freqüentemente tem minizado o aspecto literário para se concentrar em julgamento moral. Os contemporâneos deste livro transgressor, aqueles que chegaram a lê-lo nos duros anos 70, puderam observar, talvez com precisão, o que havia de pessoal e irreverente no estilo do poeta potiguar. O recuo no tempo e a superação da fase que o tema gay não vendia e era lido as escondidas, deixam-nos ver agora, em saliênc ia, no complexo contexto desta poética, o tecido próprio da arte dita marginal. A obra é do tempo do Lampião da Esquina, um jornal porta-voz dos gays brasileiros que se publicou entre 1978 e 1981, lançando nomes como Aguinaldo Silva e João Silvério Trevisan, este autor do fundamental "Devassos no Paraíso"(1986), a história da homossexualidade brasileira dos tempos coloniais até ao fim do milênio. Na introdução deste estudo fecundo que já nasceu clássico, Trevisan fala do homossexual como de alguém que instaura uma dúvida, "algo que afirma uma incerteza, que abre espaço para a diferença e que se constitui em signo de contradição frente aos padrões da normalidade". Paulo Augusto, nada preocupado com dar uma visão politicamente correta das evidências, provoca a partir do próprio título, "Falo", um ambíguo jogo entre a palavra dita com autoridade e o órgão sexual masculino. Ele questiona tanto o comportamento dos chamados "frescos" como o enrustido, num estimulante embate entre o desejo e a denúncia, construindo uma poética de forte vibração erótica, nunc a pornográfica. A experiência do poeta não é de hoje. Apenas agora ela adquiriu uma total plenitude de sentido e de maneira. O Brasil iniciou-se no gênero com "Bom-Crioulo" (1895), do cearense Adolfo Caminha, considerado o primeiro romance, em todo o mundo, a abordar o amor homossexual de forma direta. Narra o envolvimento amoroso entre dois marinheiros, um deles negro, inclusive com descrições detalhadas de atos sexuais. O autor utilizou vasta soma de informação obtida a partir de depoimentos prestados em audiências jurídicas relacionadas com casos de sodomia na Marinha e no Exército. A publicação do livro suscitou escândalo e controvérsia. Em 1937, a Marinha solicitou e obteve do presidente Getúlio Vargas o embargo de uma nova reedição. Só noventa anos depois da 1ª edição o livro voltou às livrarias e às bibliotecas públicas e escolares. Em 1914, a revista Rio Nu publicou "O Menino de Gouveia", de autor anônimo, conto ilustrado com a imagem nítida de dois homens praticando sexo anal. Mais de 60 anos antes, o poeta romântico Álvares de Azevedo, que morreu antes de completar 21 anos, deixou uma apaixonada carta de despedida a um amante: "Luís, há aí não sei quê no meu coração que me diz que talvez tudo esteja findo entre nós [...] há em algumas de minhas cartas a ti uma história inteira de dois anos, uma lenda, dolorosa sim mas verdadeira, como uma autópsia de sofrimento. Luís, é uma sina minha que eu amasse muito e que ninguém me amasse. Assim como eu te amo, ama-me". Mário de Andrade, que tinha problemas com a sua opção sexual e era amigo íntimo de Luís da Câmara Cascudo e Manuel Bandeira, escreveu contos falando de amores entre rapazes. Numa das suas crônicas, o autor da rapsódia "Macunaíma - Herói sem Nenhum Caráter"(1926), diz: "É por causa do meu engraxate que ando agora em plena desolação. Meu engraxa te me deixou". Mário foi muitas vezes ridicularizado por Oswald de Andrade, que o chamava "o nosso Miss São Paulo traduzido em masculino". O sociólogo Gilberto Freyre, como chegou a declarar em entrevistas, também gostava da fruta. Ao publicar "Casa-Grande & Senzala"(1933) foi acusado nos meios tradicionalistas como pernicioso e pornográfico. Assim como o poeta oficial Olavo Bilac, que compôs o "Hino Nacional", e o inventivo cronista João do Rio, que aos 18 anos publicou dois contos homoeróticos: "Impotência" e "Ódio". O solitário baiano Sósigenes Costa, o criador de "Iararana", publicado postumamente em 1979, teve a sua homossexualidade abafada durante décadas e quando há dois anos toda a sua obra foi relançada graças ao aval de José Paulo Paes, não encontrei nenhum estudioso com valentia de comentar sobre a sua sexualidade, o máximo dito foi que "não é importante para a compreensão de sua poética". O que não é verdade. Nos anos seguintes, destacaram-se outros escritores gays: Aníbal Machado, autor de "João Ternura"(1965); o injustamente esquecido Otávio de Faria e o genial mineiro Lúcio Cardoso, um dos maiores escritores da nossa literatura, autor de "Crônica da Casa Assassinada"(1959), além de poeta, cineasta e dramaturgo.O seu "Diário Completo"(1949-62) tem passagens densas e reveladoras: "A profundeza da sensualidade é espantosa, é como um caminho sem fim. Mas caminho perfeitamente igual nas suas linhas, nas suas curvas, nos seus processos, como um vasto corredor que atravessássemos, mostrando a mesma paisagem sem surpresa". A poesia homoerótica de Mário Faustino, um parceiro de juventude de Paulo Francis, só raramente é lembrada. Morreu em 1962, num desastre de avião, com apenas 32 anos. Não podemos esquecer Paulo Hecker Filho, autor de "Internato"(1951). Nos anos 60 e 70 falou-se muito da escritora Cassandra Rios, que vendia em média trezentos mil exemplares anuais, e que por descrever cenas amorosas entre lésbicas foi muitas vezes intimada a comparecer perante juízes e delegados, acusada de atentado à moral e aos bons costumes. O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, nas nossas conversas poucos anos antes de sua morte, falava do tabu em torno da secreta vida amorosa da acadêmica Nélida Piñon, do romance na Itália entre Diogo Mainardi (autor do hediondo "Polígono das Secas", 1995) e o norte-americano Gore Vidal, além do amor irrealizado da escritora Olga Borelli por Clarice Lispector. Ela cuidou da autora de "Perto do Coração Selvagem"(1944), quando doente e até a sua morte, com paciência e d edicação. A homossexualidade do mineiro Pedro Nava só foi revelada após o seu desaparecimento. Uma história sensível e importante foi o romance entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares, registrado em cartas e no livro "Flores Raras e Banalíssimas"(1995), de Carmen L. Oliveira. Elas viveram juntas por dez anos na casa de Samambaia, perto de Petrópolis. O álcool destruiria essa relação, mas Bishop só voltou aos Estados Unidos depois do suicídio de Lota. No romance "O Grupo / The Group"(1963), de Mary McCarthy, a baronesa lésbica é inspirada em Lota. Vange Leonel, Valdelice Pinheiro e Leila Miccolis são nomes importantes na literatura lésbica brasileira. Caio Fernando Abreu, o autor de "Morangos Mofados"(1981) e "Onde Andará Dulce Veiga?"(1990), surgiu nos anos 70 e nunca escondeu sua homossexualidade. As cartas que escreveu para a poeta Hilda Hilst, autora da história gay "Rútilo Nada"(1993), são comoventes, assim como alguns contos, destacando-se "Aqueles Dois". Nesta mesma década faz-se notar a obra ficcional de Aguinaldo Silva e Darcy Penteado (autor de "A Meta", 1976, coletânea de contos autobiográficos). Aguinaldo Silva publica em 1975, "Primeira Carta aos Andróginos", um relato cru dos engates num cinema carioca. Outros nomes importantes para a compreensão literária gay nacional são os de João Gilberto Noll, Silviano Santiago, Herbert Daniel, Bernardo Carvalho, Luis Capucho, Jean-Claude Bernardet e os poetas Roberto Piva (se classifica como "eu sou o jet-set do amor maldito"), Glauco Mattoso, Valdo Mota, Ítalo Moriconi, Antonio Cícero e Nestor Perlongher, argentino que vivia em São Paulo. Silviano Santiago, também p oeta e ensaísta, não passou despercebido com "Stella Manhattan"(1985) e enfrentou vergonha e culpa no seu romance "Uma História de Família"(1993). Herbert Daniel é autor de um sincero livro autobiográfico, "Passagem para o Próximo Sonho"(1982), obra que narra sua participação na guerrilha brasileira e seus problemas enquanto homossexual que, após fugir do Brasil durante a ditadura de 1964, acabou se empregando como porteiro numa sauna gay de Paris. Jean-Claude Bernardet, em parceria com Teixeira Coelho, publicou em 1993 a novela epistolar "Os Histéricos". Bernardo Carvalho é autor do excelente volumes de contos "Aberração"(1993). Capucho escreveu o erótico-pornô "Cinema Orly"(1999) e o capixaba Valdo Mota é um adepto da sodomia mística literária. Na dramaturgia, Nelson Rodrigues deu a senha do "ladrão boliviano" em "Toda a Nudez Será Castigada"(1965); Chico Buarque de Holanda imortalizou o travesti Geni em "A Ópera do Malandro"(1978); e Plínio Marcos comoveu platéias com o homossexual marginal Veludo de "Navalha na Carne"(1967). Nenhum deles é gay, mas trataram o tema com sensibilidade e verdade. Mas talvez a mais importante obra tupiniquim de celebração gay seja "Grande Sertão: Veredas"(1956), onde Guimarães Rosa desenha a ambigüidade. Nesse épico da linguagem, o jagunço Riobaldo ama secretamente seu jovem parceiro Diadorim, sem saber que ele não passa de uma mulher masculinizada. O escritor italiano Claudio Magris disse tratar-se "de uma das mais importantes histórias gays já escritas". No Rio Grande do Norte, além de Paulo Augusto, destacam-se vários escritores e poetas de homossexualidade latente. Dedicando "Falo" ao lendário marginal João Francisco dos Santos, que passou à história como Madame Satã, Paulo Augusto toca nas idéias e comportamentos libertários da contracultura dos 70, caracterizando uma identidade que reivindica o lugar da diferença. Obra que assume uma importância poética, para além da estética, contribuindo que o indivíduo se liberte das amarras sociais e morais. O autor traz para dentro de seu texto a narrativa de suas experiências, de suas emoções, de uma sensualidade pulsante que motivou o interesse poético. Ele demonstra que poeta é justamente aquele que, longe de buscar amparo em reconhecimentos, deixa acontecer, ou melhor, fomenta em si mesmo, no mundo e nas palavras, o desamparo do desconhecido, do espantoso, do valente

de Antonio Júnior

Rio: destino gay mais sexy.


Com 48% dos votos, cidade venceu Madri, Buenos Aires, e Portland, entre outros destinos populares para o público LGBT.

O Rio venceu, pela segunda vez, a eleição para escolher o destino gay mais sexy do mundo. O evento é organizado anualmente pelo site Trip Out Gay Travel e o Logo, canal americano da MTV voltado para p público homossexual. A cidade foi eleita pelo segundo ano consecutivo com 48% dos votos e deixou para trás Madri, na Espanha, Portland, nos Estados Unidos, St. Tropez, na França, e Buenos Aires, capital argentina.

De olho no crescimento do turista LGBT na cidade, a prefeitura inaugurou em maio um portal que disponibiliza a agenda gay da cidade. O site faz parte do órgão municipal da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual e também recebe denúncias de discriminação. Confira o portal aqui. O endereço online fez parte de um pacote de medidas contra o preconceito realizado pela prefeitura. 

A escolha das cidades foi realizada por um grupo de escritores e jornalistas especializados em viagens. Em seguida, abriu-se votação para o público. Ao ser indicado, o Rio foi definido como a cidade onde vivem as pessoas mais sensuais. As praias, festas e o jeito carioca também foram destacados. Em 2009, o Rio já havia recebido o título de melhor destino gay do planeta. "No Rio todas as tribos convivem muito bem, então eles sempre são muito bem recebidos e se sentem em casa", diz o secretário Especial de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello. E você, acha que o Rio trata bem o público  gay? Deixe abaixo seu comentário!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Não Gosto dos Meninos

Deixa eu lembrar de vc?

Projeto #EuSouGay

Café com Leite (You, Me and Him)



A segunda parte do filme vc encontra no Youtube.

1/4- LEA T. de frente com GABI | 02/10/11


Assistam a entrevista inteira no youtube.

JOÃO W. NERY de frente com GABI | 12/10/11



Assistam as 4 partes no youtube.

Debate

http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2011/10/27/a-dor-que-o-senhor-ives-gandra-martins-nao-sente/

Cura?

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/10/jovem-gay-submetido-sessao-de-cura-em.html

OI?